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Não compareça de mãos vazias: formas de entrega de ofertas e dízimo

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Há orientações sobre como e quando exercer a fidelidade por meio dos recursos financeiros. A Bíblia tem orientações sobre a forma de entregar ofertas e dízimo.

Esse texto pretende ajudar os adventistas a entenderem duas questões. A primeira dúvida é se a oferta seria obrigatória para cada membro em cada culto, ou se é referente a proporcionar aos adoradores um momento de ofertar em todos os cultos, não sendo obrigatório que todos dessem sempre ofertas em cada reunião de adoração. A segunda questão diz respeito ao uso de intermediários para entregar a oferta e dízimo na igreja, que podem ser pessoas, bancos ou aplicativos da instituição para fazer o donativo chegar à casa do tesouro.

Uma dificuldade na oferta obrigatória de cada indivíduo em todos os cultos seria o de sempre ter algo para ofertar em cada encontro. Dessa forma, o adorador precisaria fracionar a oferta ou o dízimo, de modo a oferecer algo em cada adoração congregacional. No entanto, esse não parece ser o sentido bíblico e o sentido dado pelo Espírito de Profecia, como veremos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia acredita que o Espírito de Profecia é o testemunho acerca de Jesus dado aos profetas, e que a escritora Ellen G. White (1827-1915) recebeu o dom de profecia, de acordo com as características apresentadas pela Bíblia. Para mais detalhes, leia o conteúdo que está aqui.

Entregando dízimos e ofertas pessoalmente

As ofertas, segundo a Bíblia, podem ser entregues pessoalmente, mas não por todos os membros da igreja em cada uma das reuniões. Um exemplo são as três grandes festas do povo para a adoração no santuário: “Três vezes no ano todo o homem entre ti aparecerá perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher, na [1] festa dos pães ázimos, e na [2] festa das semanas, e na [3] festa dos tabernáculos; porém não aparecerá vazio perante o SENHORCada um, conforme ao dom da sua mão, conforme a bênção do SENHOR teu Deus, que lhe tiver dado” (Deuteronômio 16:16-17).

No texto acima são determinadas três das seis festas de convocação do povo para a adoração, estas são as de peregrinação fixas, deixando claro que a oferta seria obrigatória nessas três.

Note que das seis grandes festas regulares (Números 29:39) de adoração no antigo Israel: 1. Páscoa (Números 28:16), 2. Pães asmos, (Números 28:17, Levíticos 23:4-8); 3. Primícias (o mesmo que festa das Semanas, Colheita ou Pentecostes (Levíticos 23:9-25; Êxodo 23:16; 34:22; 28:26; At 2:1); 4. Trombetas (Números 29:1), 5. Expiação (Números 29:7; Levíticos 23:26-32) e 6. Tabernáculos (Êxodo 23:16; Levíticos 23:34; Levíticos 23:33-44), somente nas festas dos Pães asmos, Semanas e Tabernáculos era a presença e oferta obrigatórias (não comparecer de mãos vazias).

Conforme vemos, os textos estão indicando não ser necessário ter oferta para cada evento das seis convocações religiosas, uma vez que se tenha cumprido a obrigação prescrita nessas três (Deuteronômio 16:16-17).  Assim, nas outras reuniões, a presença do adorador e as ofertas eram facultativas, uma vez que já haviam sido entregues nas três outras mencionadas (Deuteronômio 16:16-17).

Portanto, podemos tirar dessa passagem a lição de que não se faz necessário sempre trazer alguma oferta para todo e qualquer tipo de culto, mesmo na igreja, uma vez que já se tenha devolvido fielmente seu dízimo e oferta na primeira ocasião que lhe foi possível fazê-lo.

Textos bíblicos também revelam que ofertas podiam ser entregues cotidianamente, conforme a conveniência e generosidade do adorador fiel, em outros momentos não obrigatórios, como no caso do apelo do rei Ezequias: “E, depois que se divulgou esta ordem, os filhos de Israel trouxeram muitas primícias de trigo, mosto, azeite, mel, e de todo o produto do campo; também os dízimos de tudo trouxeram em abundância.

E os filhos de Israel e de Judá, que habitavam nas cidades de Judá, também trouxeram dízimos dos bois e das ovelhas, e dízimos das coisas dedicadas que foram consagradas ao SENHOR seu Deus; e fizeram muitos montões.” (2 Crônicas 31:5-6).

Ou na doação espontânea do povo e da viúva pobre: “E, estando Jesus assentado de fronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo” (Marcos 12:41-42).

Usando intermediários para fazer o donativo

Por outro lado, a segunda questão que surge é se, biblicamente, e pelo Espírito de Profecia, o dízimo e as ofertas podem ser entregues de forma indireta, não pessoalmente na igreja, mas por um intermediário. Nesse caso, se usado um intermediário, deveria ser uma forma pela qual a oferta chegue de forma rápida, prática e com mínimo de despesa para a Casa do Tesouro.

Isso tem sido feito pelo sistema bancário ou o uso de aplicativos de transferência de crédito. Sobre bancos e aplicativos destacamos os seguintes pontos:

  1. Não é algo novo – já usamos há décadas o intermediário bancário como meio (que não é da igreja) para enviar nossos dízimos e ofertas. Esse sistema tem sido usado normalmente para creditar o valor do dízimo e oferta no tesouro da igreja, mas isso têm um custo e um tempo determinado por essas instituições para creditar os valores doados.
  2. Rapidez – recentemente os aplicativos têm feito transferência de forma mais rápida e com menos custo para igreja do que bancos.
  3. Segurança – aplicativos criados pela própria igreja oferecem credibilidade e segurança no movimento dos recursos sagrados, evitando desvios, perdas e despesas que podem ocorrer no processo quando usamos os meios tradicionais de entrega de dízimos e ofertas em mãos, pessoalmente.
  4. Transparência – nos aplicativos da igreja, o doador tem o controle de valores e o acompanhamento de todo o processo, com a segurança de que o recurso chegou de fato ao destino.

Assim, o uso de intermediários parece ser uma alternativa aceitável, particularmente quando não for possível a entrega pessoal do donativo.

Também quando este meio for mais econômico, seguro e prático, a entrega de dízimos e ofertas pode ser feita por intermediários, conforme exemplifica a Bíblia a seguir.

Um exemplo é o de Neemias, conforme o texto:

“Também no mesmo dia se nomearam homens sobre as câmaras, dos tesouros, das ofertas alçadas, das primícias, dos dízimos, para ajuntarem nelas, dos campos das cidades, as partes da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judá estava alegre por causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali.” (Neemias 12:44).

Note que, nesse caso, foi necessário que o adorador entregasse a alguém seu dízimo para que essa pessoa o levasse ao Templo. Era usado um intermediário, e o doador, mesmo não fazendo a entrega pessoalmente, estava em dia com sua obrigação espiritual de fazer seu donativo chegar por um meio seguro e transparente à casa do tesouro.

Nesse sentido, podemos concluir que a entrega dos dízimos e das ofertas pode ser feita por um intermediário apontado pelo Templo, pela igreja ou pelo próprio adorador.

Também no Espírito de Profecia, Ellen White foi portadora para encaminhar dízimos de pessoas para a Casa do Tesouro.

“Vocês me perguntam [1] se aceitaria dízimo de vocês para usá-lo onde mais se necessita na causa de Deus. Em resposta direi que não recusaria fazê-lo, [2] mas quero dizer que há um caminho melhor. É melhor depositar confiança nos ministros da associação onde vocês vivem, e nos dirigentes da igreja onde vocês frequentam. Aproximem-se dos seus irmãos.” Ellen White[1].

Duas lições podem ser tiradas desse exemplo. A primeira é que dízimos podem ser levados à tesouraria por um intermediário quando for mais prático e confiável. Portanto, como vimos também no exemplo de Neemias acima, não é obrigatório que sempre o doador o entregue pessoalmente.

Uma segunda lição é seguir as orientações da Associação (sede administrativa) na qual fazemos parte, ao encaminhar os dízimos e ofertas, porque esse é “um caminho melhor”. Essa declaração é muito importante porque, segundo ela, nessa questão, é melhor confiar na orientação da igreja do que, (mesmo se ela estivesse aqui) pedir a Ellen White para fazer a entrega como nosso intermediário!

Portanto, considerando que:

  1. O meio bancário já é utilizado normalmente pelos membros para transferir para a igreja dízimos e ofertas.
  2. Que os aplicativos de transferência da igreja como o 7me são seguros, transparentes e menos onerosos.
  3. Que a igreja, em geral, buscando as melhores e mais econômicas alternativas para receber e transferir recursos sagrados orienta a utilização de um programa como o aplicativo 7me, por exemplo. E, embora haja outras possibilidades aceitáveis para o adorador entregar seus dízimos e ofertas ao tesouro do Senhor, a sugestão da igreja tem como objetivo priorizar o melhor caminho para isso.O adorador pode, ainda, após enviar seus donativos pelo 7me , colocar o recibo de encaminhamento de dízimo e ofertas enviados pelo aplicativo no envelope e entrega-lo na salva quando comparecer à igreja. Dessa forma, tem sua participação na liturgia da igreja na hora do ofertório e proporciona à tesouraria local mais um meio de conferir a doação.
  4. Nesse caso, conforme Ellen White ensina “É melhor depositar confiança nos ministros da Associação onde vocês vivem” (Idem), uma vez que o objetivo é a fidelidade e promover a missão da igreja, sem que haja desvios ou despesas desnecessárias na entrega da doação.

Que o Senhor abençoe a cada adorador e seu povo no cumprimento de sua missão de pregar o evangelho em todo mundo (Mateus 28:19-20).


Referências:

[1] WHITE, E. G.  Manuscripts Releases, Vol. 1, p. 196.

Para detalhes sobre Ellen White, em situação especial, ao enviar seu dízimo e receber dízimos de outras pessoas e ela mesma enviar esses dízimos do leste para os campos do Sul dos EUA,  ver:

WHITE, Arthur. Ellen G. White: The Early Elmshaven Years. Whashington, DC: Review adn Herald Publishing Association, 1981, p. 396, 397.

SILVA, Demóstenes Neves. PERGUNTAS SOBRE DÍZIMOSUma abordagem na Bíblia e nos livros de Ellen White, pergunta 28.

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